Tudo começou sob o brilho neon da noite, com o burburinho da multidão se dissipando ao nosso redor. Caleb e eu tínhamos acabado de ganhar um prêmio — um power pack sustentável — e enquanto eu folheava o panfleto da Noite Polar, Caleb sugeriu usá-lo para uma fuga, uma viagem de carro divertida para algum lugar distante. Foi então que o nome Rongxing surgiu, e notei um interesse inconfundível em sua voz.
Rongxing não era um destino qualquer para Caleb. Ele revelou que sonhava em ir para lá desde a época da faculdade, no segundo ano, mas a cidade havia sido fechada devido a mudanças políticas. Ele planejava ir comigo no verão, mas o fechamento persistiu. Ele ainda guardava um guia de viagem completo, mais do que um mapa, no telefone, e prometeu que, se o guia não fosse mais preciso, ele criaria um novo. O importante era que a viagem seria “tudo, menos chata”.
O Acidente e o Charme do Imprevisto
Partimos com suprimentos para dois dias. A cidade, banhada em luzes de neon, desvaneceu na distância enquanto enchíamos o espaço do carro com música. Estávamos prestes a registrar o primeiro dia da nossa aventura quando, de repente, o SUV deu um solavanco e parou. A bateria do carro tinha pifado, e teríamos que ser rebocados.
Mas a nossa história não era feita para ser interrompida. Caleb sabia de uma velha concessionária de carros ali perto. Optamos por seguir em frente em vez de esperar por resgate. Em uma hora, encontramos uma picape antiga, surrada, mas pronta para rodar assim que trocássemos os pneus.
Eu me ofereci para ajudar, afinal, isso fazia parte do meu treinamento básico de sobrevivência em campo. Caleb, sempre brincalhão, me lançou um desafio: “Quem terminar por último é um cachorrinho”! Embora eu tenha achado a aposta infantil, trabalhei rápido e terminei primeiro. No entanto, ao me virar, Caleb estava tirando uma foto. Ele riu e perguntou de onde tinha vindo aquela “gatinha coberta de fuligem”. Com terra no meu rosto, tentei pegar o telefone, mas ele me segurou em seus braços, dizendo: “Não se mova. Deixe-me limpar você primeiro”. Seus dedos roçaram minha pele como a brisa noturna, parando suavemente perto dos meus lábios. O contratempo havia se transformado em um momento de ternura inesquecível.
A Cidade Nostálgica e a Promessa de Permanência
Após uma longa e agitada jornada, finalmente chegamos a Rongxing. Logo na entrada, tiramos uma foto de lembrança no “Moonlotus Pond”. A cidade era pura nostalgia: linhas de energia aéreas, murais antigos e cabines telefônicas públicas que pareciam fósseis.
Curiosa, perguntei a Caleb se os telefones ainda funcionavam. A resposta dele foi me levar a uma das duas cabines disponíveis. Separados apenas por um divisor de plástico, começamos a conversar pelo telefone.
Foi um momento estranhamente doce. Caleb respirou no divisor, embaçando-o, e começou a escrever. Ele compartilhou um segredo:
“Às vezes, quando falo com você ao telefone, sinto que posso realmente te ver”.
Enquanto escrevia lentamente meu nome no vidro embaçado, ele fez a promessa que selou o nosso destino:
“Assim que eu terminar de escrever seu nome, eu voltarei. E eu prometo que é para ficar de vez desta vez.”
Eu escrevi meu nome também. Quando desligamos, ele pegou minha mão novamente; seu toque era quente e real. Eu o lembrei de que esta não era a única promessa que ele havia feito, e ele garantiu que cumpriria todas.
✨ A Lenda das Nuvens Douradas
Passamos os dias seguintes explorando a cidade, e o guia antigo de Caleb provou ser incrivelmente útil. Em uma noite fria na muralha da cidade, ele insistiu para que eu vestisse seu casaco, preocupado que eu pegasse um resfriado. Enquanto ele ajustava o zíper, um anúncio no rádio falou sobre a possibilidade de vermos “nuvens douradas” devido à interferência magnética da noite polar.
Caleb revelou a lenda: casais que veem as nuvens douradas superam tudo e permanecem juntos para sempre. Embora eu tenha achado a história “cafona”, confessei a ele: “Eu não acredito na maioria das pessoas. Mas quando se trata de você… eu não me importo de acreditar um pouquinho”. Ele havia planejado aquele local para que víssemos fogos de artifício, mas naquela noite, o céu nos daria algo muito mais raro.
Ele me contou que tinha ouvido a lenda de um colega e até havia feito um desejo de vê-las. Nossas mãos se tocaram e se entrelaçaram. E então, acima do horizonte, a luz dourada começou a irradiar por trás das nuvens. Eram as nuvens douradas!. Caleb sorriu, dizendo que não havia mal nenhum em acreditar em algo tão bonito.
O Recomeço
Nossa jornada não terminou quando pensávamos. Em um desvio de volta para casa, na calada da noite, o GPS falhou. Eu estava preocupada que nossa viagem não estivesse “correndo bem”. Mas Caleb, mais uma vez, acalmou meu coração:
“Você disse isso. Este tipo de viagem não acontece muitas vezes. Mas estar junto é o que importa. Enquanto for esse o caso, tudo correrá bem“.
Três horas depois, perdidos, decidimos transformar o contratempo em “acampamento bem-sucedido”. Deitamos na caçamba da picape, ouvindo música suave sob as estrelas cintilantes da noite polar. Caleb me deu um beijo na testa, confirmando que, embora o conforto fosse bom, ele preferia estar ali, comigo.
E quando, por um golpe do destino, o caminho de volta nos levou de volta à velha concessionária, eu soube que Caleb estava certo. Enquanto o sol nascia, trocamos sorrisos silenciosos. O nascer do sol não marcava o fim da nossa jornada. Marcava o início da próxima.
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